Etarismo no cinema: mulheres +60 somem das telas, aponta estudo
Estudo do Centre for Aging Better revela que mulheres acima de 60 anos são raras entre protagonistas dos maiores sucessos de bilheteria.
Etarismo contra mulheres ainda domina o cinema, alertam especialistas
Um dado chama atenção para um problema antigo, porém pouco quantificado, da indústria do entretenimento: mulheres mais velhas praticamente desaparecem das telas quando o assunto é protagonismo. É o que aponta um levantamento do Centre for Aging Better, organização que estuda temas ligados ao envelhecimento, ao analisar as maiores bilheteiras do cinema entre 2023 e 2025.
O que aconteceu
Segundo o estudo, das 100 maiores bilheteiras lançadas no período analisado, apenas cinco filmes tinham uma mulher com mais de 60 anos entre os papéis principais. O dado, por si só, já seria alarmante, mas o levantamento vai além ao estabelecer uma comparação simbólica: é cinco vezes mais provável encontrar um filme protagonizado por um cachorro falante do que por uma mulher nessa faixa etária.
A constatação reforça uma crítica recorrente de pesquisadores e movimentos ligados à representatividade no audiovisual: a de que o etarismo — a discriminação baseada na idade — atinge as mulheres de forma desproporcional em comparação aos homens, que seguem protagonizando filmes mesmo em idades avançadas.
O estudo também reforça uma leitura mais ampla sobre a necessidade de diversidade não apenas nas histórias contadas nas telas, mas também entre os profissionais que ocupam cargos de decisão em Hollywood e em outras indústrias cinematográficas ao redor do mundo — como roteiristas, diretores e produtores, cujas escolhas moldam diretamente quem aparece (e quem não aparece) como protagonista.
Como tudo começou
A discussão sobre etarismo no cinema não é nova, mas ganhou novo fôlego com a divulgação de dados concretos que ajudam a materializar uma percepção já compartilhada por atrizes, roteiristas e público ao longo dos anos.
O recorte escolhido pelo Centre for Aging Better — as 100 maiores bilheteiras entre 2023 e 2025 — funciona como uma espécie de raio-X recente da indústria, capturando um período contemporâneo e ainda em curso. A escolha por bilheteiras, e não por lançamentos em geral, sugere um interesse em entender o fenômeno justamente nos filmes de maior alcance e impacto cultural, aqueles que moldam o imaginário popular sobre quem pode ou não ser protagonista.
Após a divulgação, o tema passou a circular em veículos de entretenimento e páginas dedicadas a discussões sobre representatividade, reacendendo debates sobre a falta de espaço para atrizes mais velhas em papéis centrais — um contraste frequentemente apontado com a trajetória de atores homens da mesma faixa etária, que seguem sendo protagonistas de franquias de ação, dramas e até comédias românticas.
O que ainda é rumor
É importante destacar alguns pontos que ainda carecem de esclarecimento nas fontes disponíveis até o momento:
- A frase "Mulheres mais velhas não precisam de permissão para existir na tela", atribuída de forma genérica a "especialistas", não tem autoria identificada claramente. Não foi possível confirmar quem disse a frase, em qual contexto ou veículo ela foi originalmente publicada.
- O estudo do Centre for Aging Better, embora citado, não teve sua metodologia completa detalhada nas fontes até então coletadas. Não há informações claras sobre os critérios usados para definir o que conta como "protagonista", tampouco sobre a forma exata de seleção dos 100 filmes analisados (se por bilheteria bruta, ajustada, por mercado específico, entre outros fatores).
- Não foi possível localizar, até o fechamento desta matéria, a publicação original e completa do estudo, o que dificulta uma checagem mais aprofundada dos números apresentados.
Esses pontos não invalidam os dados divulgados, mas reforçam a necessidade de cautela ao repassar as informações como definitivas antes que a metodologia completa seja tornada pública ou verificada por outras fontes independentes.
Repercussão
De acordo com publicações recentes em redes sociais e veículos de entretenimento, o tema tem gerado debate entre internautas e comentaristas culturais, especialmente entre quem discute representatividade de gênero e idade no audiovisual. No entanto, até o momento, não há exemplos concretos, prints ou fontes verificáveis que permitam mensurar com precisão o tamanho ou o teor dessa repercussão — trata-se, por ora, de uma percepção geral de que o assunto "viralizou", sem comprovação factual específica.
Também não houve, até a publicação desta matéria, pronunciamento oficial de estúdios de cinema, associações da indústria audiovisual ou do próprio Centre for Aging Better esclarecendo detalhes metodológicos adicionais sobre o levantamento.
O caso, de todo modo, reacende uma discussão importante: a de que a representatividade etária ainda é um capítulo pouco resolvido dentro do debate mais amplo sobre diversidade no cinema — um problema que, segundo o estudo, parece mais estrutural do que pontual.